Viagem: Um dia em Paris

Paris de surpresas

Rua no Quartier Latin

foto de Maurício Massano

A proposta era deixar a cidade nos conduzir por um caminho pontuado pelos famosos monumentos e por experiências não previstas em mapas tampouco em roteiros oficiais. Após um café da manhã reforçado com direito à tradicional dupla croissant e chocolate quente, saí na companhia de duas amigas em direção ao metrô mais próximo, o Glacière, a poucos quarteirões do hotel.

O destino escolhido foi o centro da cidade, precisamente o quinto arrondissement, uma das vinte divisões administrativas da capital francesa. Ao desembarcar, o silêncio e o fraco movimento na cidade despertaram um estranhamento que acabou quando pedimos uma explicação a um transeunte. As turistas desavisadas se decepcionaram ao saber que às segundas-feiras parte do comércio parisiense não funciona.

Não foram necessários muitos passos para encontrar o Panteão. Marcado pela arquitetura neoclássica, o suntuoso edifício foi encomendado pelo rei Luís XV e abriga os restos mortais de 70 ilustres pensadores como os filósofos Jean-Jacques Rousseau e René Descartes.

 

A caminhada prossegue pelas ruas estreitas e desertas do bairro. Uma pintura no muro de um prédio ganha nossa atenção na Rua René Descartes. É a árvore azul do pintor belga Pierre Alechinsky acompanhada de um poema de Yves Bonnefoy:”(…)você tem sorte de ter uma árvore na sua rua? Seus pensamentos serão menos árduos, seus olhos mais livres(…)”

Os passos desaceleram quando surge um parque que enche nossos olhos. Os galhos secos típicos do inverno não tiraram a beleza do jardim do Luxemburgo, área verde com mais de 200 mil m² que abriga o Palácio de Luxemburgo, sede do senado francês. Contudo, o tempo frio nos privou de ver o parque florido cheio de crianças correndo em volta dos lagos e famílias fazendo piquenique sobre o gramado.

Palácio de Luxemburgo

Após passar pelo Odeon – ou Teatro da Europa-, deparamo-nos com a fachada de uma das quatro unidades da Universidade de Paris que partilham o nome Sorbonne, no Quartier Latin (bairro latino). A entrada culmina no Pátio de Honra, onde uma estátua do cientista Louis Pasteur simboliza a tradição do país na produção científica ocidental.

 

Na direção do rio

Rio Sena

 

Ainda no Quartier Latin, encontramos a igreja de São Severino, erguida no século 6, época em que viveu o eremita ao qual foi dedicada. Depois de uma rápida visita para apreciar os traços góticos da igreja que possui o sino mais antigo de Paris, nos dirigimos à lanchonete mais próxima atrás de um repositor de energia: um panini, sanduíche feito na típica baguete francesa.

Com a fome saciada e o tempo se esvaindo, estabeleceu-se uma meta para que o anoitecer não nos pegasse de surpresa: visitar a Catedral de Notre Dame. A expectativa de ver um dos símbolos da história francesa foi mais do que correspondida. A sensação de contemplar uma obra de arte em uma galeria a céu aberto explica o silêncio ao ver a catedral à margem do Sena. Indescritível.

Catedral de Notre Dame de Paris

Passado o impacto da cena, adentramos na igreja fundada no século 12, na era medieval. As gárgulas, as torres pontiagudas e os vitrais coloridos demonstram a arquitetura gótica da catedral amplamente adaptada para o turismo. No seu interior, é possível comprar um áudio-guia com diversas opções de idioma, além de colocar um fone de ouvido para escutar os cantos gregorianos e o grande órgão.

Livraria Shakespeare and Company

Um pedestre distraído talvez não veja que na frente da catedral existe uma livraria inusitada. O ambiente intimista da Shakespeare and Company nos convida a passear por entre as prateleiras empoeiradas com obras da literatura anglo-saxã. As camas e outros cantinhos aconchegantes remetem à função de abrigar e inspirar escritores que chegam à livraria desde 1951, ano em que foi inaugurada pelo americano George Whitman.

O dia felizmente exaustivo acabou com um cappuccino e um vinho quente servidos em uma creperia nas redondezas. Enquanto o corpo era aquecido, assistimos ao chef de cozinha preparando uma galette – nome dado ao crepe salgado – com as mesmas destreza e maestria de um pizzaiolo italiano.

No metrô a caminho do hotel, o cansaço deu lugar à tranquilidade com a constatação de que era só o primeiro dia e que ainda havia uma Paris inteira a ser descoberta. E, o melhor de tudo, a noite nos esperava.

Em pouco mais de duas horas um trem pode levar a um passeio em Estrasburgo.

 

 

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