Saúde e Nutrição: Veganismo

Mais que uma dieta, uma filosofia de vida

O vegetarianismo é uma prática milenar

O vegetarianismo é uma prática milenar em sociedades orientais que se consolidou no Ocidente e tem ganhado cada vez mais adeptos. A União Vegetariana Internacional define o vegetarianismo como “a prática de não comer carne, frango ou peixe ou seus derivados, com ou sem o uso de lacticínios ou ovos”.

Há diferentes categorias de vegetarianos, de acordo com a restrição em suas dietas. Os principais grupos são ovolactovegetarianos, que consomem ovos, leite e derivados, lactovegetarianos, que consomem leite e derivados, e vegetarianos estritos, também chamados de vegans ou veganos, que não consomem alimentos de origem animal ou que tenham componentes de origem animal, incluindo gelatina, cochonilha e mel.

A dieta vegana é constituída por folhas, legumes, leguminosas, tubérculos, brotos, frutas, frutos oleoginosos e cereais. Mas o veganismo extrapola a questão alimentar; trata-se de uma filosofia de vida. Por princípios éticos, seus adeptos em geral não consomem quaisquer produtos de origem animal, como roupas de lã, bolsas, calçados e roupas de couro, travesseiros de pena e produtos testados em animais, como alguns remédios, cosméticos e produtos de limpeza. A filosofia vegana é contrária a qualquer forma de exploração dos animais. Até a retirada de mel é considerada um tipo de exploração das abelhas, por isso o produto não é consumido.

Na base do pensamento vegano está a preocupação com a saúde, com o meio ambiente e com o sofrimento animal. E foram exatamente esses motivos que impulsionaram a socióloga da Sociedade Vegetariana Brasileira Marly Winckler a se tornar vegana. Além dos maus tratos sofridos pelos animais, ela cita os impactos da pecuária no meio ambiente, como a contaminação da água e o desmatamento. “Todos estes fatores causam sérias mudanças na biodiversidade, e é contra isso que os veganos lutam”, afirma.

Com o crescimento dos adeptos ao veganismo, formou-se um mercado de produtos voltados a esse nicho, com restaurantes, docerias, lojas de vestuário e até spas. Empresas estão investindo em alternativas ecológicas e sustentáveis para prover algumas necessidades sem o uso de produtos de origem animal, por exemplo, o “couro” vegetal, feito a partir de um pedaço de tecido embebido no látex, que é usado como matéria-prima para a produção de roupas, sapatos e bolsas.

A dieta vegana

Qualquer pessoa pode ser vegan

Especialistas defendem que uma dieta vegetariana ou vegana bem balanceada traz grandes benefícios à saúde, ajudando na prevenção de doenças crônicas e degenerativas, como as cardiovasculares (infarto, derrame, hipertensão arterial), diabetes, obesidade, doenças renais, osteoporose e alguns tipos de câncer.

Não existe uma idade determinada para aderir à dieta. Segundo a nutricionista Nathália Califre, até crianças podem ser veganas, “desde que haja acompanhamento de um nutricionista, uma alimentação balanceada e suplementação de alguns nutrientes, como a vitamina B12, zinco e ferro.” Nathália Califre completa: “É extremamente importante garantir o consumo dos nutrientes de maneira adequada para suprir as necessidades do organismo em todas as fases da vida.”.

De acordo com o nutricionista e ativista pelos direitos dos animais George Guimarães, proteínas, ferro e zinco são facilmente encontrados nas fontes vegetais. Mas ele faz um alerta: “se a dieta vegana não for equilibrada, a pessoa pode desenvolver uma deficiência desses nutrientes.”

São boas fontes de proteínas batata, arroz, pão integral, brócolis, espinafre, ervilha e soja. O ferro é encontrado em leguminosas, vegetais folhosos verde-escuros e frutas secas. O consumo de frutas ricas em ácido ascórbico (vitamina C) auxilia a absorção do ferro. Cereais integrais, semente de abóbora e de girassol, castanha-do-pará, amêndoa, nozes e feijão possuem quantidade significativa de zinco.

Como os veganos se abstêm de leite e derivados precisam redobrar a atenção quanto ao consumo de cálcio. São indicados couve, brócolis, quiabo, feijão branco miúdo e sementes de gergelim. Grande parte dos “leites” de soja disponíveis no mercado está sendo enriquecida com o nutriente. Em alguns casos, os nutricionistas prescrevem a suplementação do cálcio.

George Guimarães ressalta que o único nutriente que não é encontrado em alimentos vegetais e precisa necessariamente ser suplementado é a vitamina B12, que atua na formação do sangue e é indispensável ao bom funcionamento do sistema nervoso.

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