Redes sociais no trabalho

Quais são os limites?

Redes sociais no trabalho

Não dá mais para negar. As chamadas redes sociais, Orkut, Facebook, Twitter, Linked In, entre outras provaram ser mais do que um modismo e vieram para ficar. O uso cresce a cada dia. No mundo, mais de 350 milhões de pessoas acessam as redes sociais. Apenas o Twitter, em maio, teve 32 milhões de usuários.

O crescimento da utilização vem acompanhado de histórias representativas, como furos de reportagem obtidos na rede, discussões públicas acaloradas, prestação de serviços e novidades diárias.

Tal processo, no entanto, vem acompanhado de casos menos animadores. Pipocam também histórias de difamação, discriminação, vazamento de informações sigilosas e fraudes. E claro, muito disso ocorreu, ou teve origem, no ambiente corporativo, gerando prejuízos, conflitos e até demissões e processos judiciais, expondo a marca das empresas.

A mudança foi muito rápida e, mais uma vez, empresas e departamentos de RH foram pegos de sobressalto. Como evitar problemas envolvendo as redes sociais? Deve-se simplesmente proibir o uso dessas ferramentas? Essas são perguntas cada vez mais comuns na mente dos gestores, mas a urgência do assunto não deve suprimir o devido estudo.

Regras para usar a internet

 Digitando

As redes sociais são apenas um dos muitos recursos da internet, e outras funcionalidades como e-mail, navegação, Skype e listas de discussão também têm potencial de dano. Por isso, antes de avançar na questão das redes sociais, é fundamental que as empresas tenham uma política formal de uso da internet.

A norma de uso da internet deve ser escrita e difundida em toda a organização.Treinamentos e atualizações devem ser realizados, bem como a reprimenda dos faltosos. Isso tudo sob pena de a empresa ser co-responsabilizada judicialmente em um possível mau uso.

Dentro desse leque de possibilidades, as redes sociais merecem especial destaque, uma vez que o potencial de difusão da informação é enorme. Qualquer comentário comum no Twitter pode se espalhar até atingir alguém com milhares de seguidores.

Embora essa perspectiva possa parecer assustadora, talvez o melhor caminho não seja a proibição total. Além de esbarrar em limites legais, pois a empresa não poderia limitar tanto as atividades privadas de seus colaboradores, a vedação integral poderia simplesmente incentivar o anonimato, o que até poderia ser mais danoso. Seria como proibir o uso do telefone para ligações particulares. Nestes casos, deve prevalecer o bom senso e regras claras.

Como proceder?

 Twitter

Deve-se primeiramente separar o que é particular e o que é trabalho. O uso de e-mail corporativo nas redes sociais, por exemplo, deve ser repensado. Na esfera particular, ainda mais quando a colaboração for realizada fora do horário e do ambiente de trabalho, a empresa não pode ter o controle. O que se pode orientar é que, sendo particular, não pode haver referência à empresa e informações corporativas.

Na esfera do trabalho, a empresa pode disciplinar o uso das redes sociais, estabelecendo parâmetros e procedimentos. Aqui cabe ressaltar que várias empresas estão presentes nas redes sociais, muitas vezes oferecendo serviços. A presença de seus colaboradores, desde que organizada, pode trazer benefícios internamente e externamente ao promover o intercâmbio de informações.

No ambiente interno, as organizações devem proibir a difusão de comentários preconceituosos, de informações sigilosas, bem como ofensas e postura inapropriada com sanções que podem chegar à demissão por justa causa. O fundamental é estabelecer regras claras e, se possível, das quais os colaboradores tomem parte na elaboração.

Todos esses cuidados auxiliam a empresa a se preservar em caso de demanda judicial, e a manter um clima organizacional saudável. O avanço tecnológico está revolucionando as relações com os consumidores e com a força de trabalho.

Simplesmente fazer parar esta roda não é viável nem indicado, mas cuidados devem ser tomados. Governança e transparência devem abranger as políticas de recursos humanos de forma a efetivamente conquistar a adesão dos colaboradores, ainda mais em um mundo com redes sociais.

Por Sólon Cunha – Advogado, mestre e doutor em direito trabalhista


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