Intercâmbio para alunos do ensino médio

A passagem da infância para a fase adulta é um período marcado por transformações. A vida do adolescente começa a tomar rumo próprio e cresce a sede por descobertas. Enviar o jovem para estudar no exterior é uma forma encontrada por muitos pais para estimular o amadurecimento do filho nessa etapa de transição.

O intercâmbio de alunos do ensino médio em escolas estrangeiras é chamado de high school e é intermediado por agências especializadas.

Ana Cristina Sodré, diretora de intercâmbio da agência Friends in the World e mãe de três filhos que fizeram high school, acredita que a experiência torna o aluno capaz de construir uma visão de mundo mais ampla. “Ele aprende a tomar decisões, ponderar e escutar, além de voltar mais responsável”, afirma.

Pré-requisitos do intercâmbio

Para garantir uma vaga em uma escola estrangeira, o estudante precisa ter entre 15 e 17 anos, não ter repetido nenhuma série do ensino médio e ter um histórico de boas notas.

O critério de conhecimento do idioma estrangeiro é mais rígido nos Estados Unidos do que em outros países. O país norte-americano exige que o candidato atinja no mínimo 50 dos 67 pontos na prova de língua inglesa chamada slep test.

Austrália, Nova Zelândia e Inglaterra aceitam estudantes com domínio de inglês mais fraco, pois as escolas oferecem a disciplina de língua estrangeira. Mesmo assim, Ana Cristina recomenda que o aluno aprenda a língua para que não tenha dificuldades nas outras matérias escolares.

Ao se inscrever, o estudante preenche uma ficha que será enviada à organização estrangeira que faz o contato direto com as escolas e com as famílias interessadas em abrigar o intercambista. Fica a critério do candidato escolher se vai estudar o ano letivo inteiro (dez meses) ou um semestre (cinco meses). Nas escolas inglesas e irlandesas, o regime de aulas é trimestral.

Custos do intercâmbio

Fora o valor da passagem, os pais do intercambista têm que pagar o pacote que inclui o atendimento da agência brasileira, o pagamento da organização estrangeira e o seguro saúde. Para bancar um semestre de estudos nos Estados Unidos, por exemplo, a família precisa desembolsar aproximadamente sete mil dólares. Lá, as escolas públicas e as famílias não são remuneradas, mas têm desconto no imposto de renda.

Fazer high school na Europa ou no Canadá é mais caro, pois mesmo as escolas públicas recebem uma taxa, assim como as famílias que recebem o intercambista. A alimentação fica por conta da família hospedeira, que deve oferecer as três refeições diárias, além de roupa lavada.

Preparação para o intercâmbio

Para o intercambista, sair da casa dos pais é uma decisão cercada por incertezas. Vou conseguir suportar a saudade? Como serei recebido pela família estrangeira? Vou me sair bem na escola? Será fácil fazer amigos?

Ajudar o adolescente a lidar com essas dúvidas faz parte do trabalho da psicóloga intercultural Andrea Sebben, que presta consultoria a agências de intercâmbio com o objetivo de preparar os jovens para a mudança de realidade.

A especialista que lançou livros sobre o processo de adaptação em culturas diferentes observa que é preciso que o intercambista compreenda o que ela chama de esquemas mentais. Esse termo é usado para designar a forma como um determinado povo se relaciona com o ambiente que o cerca.

Quando o esquema mental não é respeitado, o intercambista pode ter problemas de convívio na escola ou com a família estrangeira. Segundo a psicóloga, os brasileiros são mais místicos e fatalistas, enquanto os norte-americanos e canadenses acreditam que têm mais controle sobre seu destino. As diferenças não param por aí. “No Brasil, os pais são mais tolerantes em relação aos erros cometidos pelos filhos”, exemplifica.

Responsabilidades do intercambista

Intercâmbio não deve ser confundido com turismo, é um programa de estudos e convivência familiar. Ana Cristina Sodré, diretora de intercâmbio da Friends in the World, esclarece que o estudante não é tratado como hóspede, mas como um membro da casa, com as mesmas obrigações dos outros integrantes. “As famílias hospedeiras, na maioria de classe média, não têm empregada doméstica, logo, o intercambista tem que ajudar nos afazeres da casa.”, explica.

Na volta do intercâmbio, uma preocupação comum é a continuidade dos estudos no Brasil. Para que o aluno possa equivaler suas notas no Brasil, precisa ter feito ao menos uma disciplina por área (ciências humanas, biológicas, exatas e línguas) e ter obtido um bom desempenho nas provas. Em 2001, uma deliberação do Conselho Estadual de Educação de São Paulo autorizou a autonomia da escola para definir o tipo de avaliação a ser feita.

Se o seu filho vai fazer um intercâmbio, confira os documentos necessários para uma viagem ao exterior.

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